quarta-feira, 18 de março de 2009

Antropologia para quem não vai ser antropólogo.

Eu não queria saber a respeito dos empiricistas ou racionalistas, eu não queria saber quem eram Durkheim, Morgan, Franz Boas ou o papa, eu só queria ver o tempo passar depressa. Para mim, estes nomes estrangeiros não passam de frases em papéis ou, como diria o professor, tubos digestivos. Talvez nem isso... Não consigo imaginar esses nomes, tão cheios de consoantes e difíceis de pronunciar, digerindo alguma coisa. Mas isso não importa tanto, eu acho. Pessoas com nomes de substância de remédio perdem totalmente sua importância quando eu olho no relógio e vejo que ainda falta uma hora para esses Malinowskis acabarem. Gente que nunca vi (e que nunca verei, já que morreram) e que me prende numa classe onde a voz do professor tem o mesmo efeito que um comprimido de Lexotan. Ai, vida... É nessas horas que eu tenho aquela idéia que todo mundo acha besta: uma máquina do tempo! Vou construir uma com o que tenho aqui: lápis, caderno, caneta, óculos, roupas, sapatos... E minha imaginação. Ah, esse seria um bom lugar para pesquisas de campo, melhor que as ilhas Trobriand. Minha imaginação me leva onde quero... Pesquisa de campo boas seria fora dessa sala, isso sim. Aprenderia muito mais andando por esta floresta que dá pra ver da janela do que ouvindo esse professor, que nem se levanta, falar. Daria tudo pra estar lá fora, comendo uma trufa e jogando palavras fora. Aliás... Daria tudo pra mandar essa relíquia à minha frente, que chamo de professor, pras ilhas Trobriand. E que os nativos façam bom proveito! Minha cabeça dói. E eu começo a pensar seriamente em sair correndo pela porta para ver uma estrutura de verdade e não um "estruturalismo falado".
Com que petulância ele fala sobre mães! Isso não é da jurisdição dele. Deus, Deus, meus pensamentos estão cada vez mais subversivos. São os sistemas primitivos de classificação, estão me ensandecendo. Ele adora um incesto. Ele deve ter tido um caso com a mãe ou com a irmã. OU COM A SOGRA! É, ele ama, em todos os sentidos, a sogra dele. E, mudando de assunto, não acaba mais não, é? Meia hora me parece uma eternidade quando tenho como som de fundo a voz monocórdia do tédio. O pior é quando ele dá pausas. Um abismo dentro de outro ainda maior. O pior é que eu me iludo quando ele fala "na próxima aula...". Eu tenho a certeza de que ele vai dizer "tchau, I have to go now". Mas ele recomeça o blablabla. Ô, vida!

(Por Ludmila e Eduardo, dois calouros profundamente interessados na aula de Antropologia. Acreditem ou não, é um diálogo...)

8 comentários:

Arte e Medicina disse...

(Isolda jogou no beleléu o e-mail do google e agora posta comentários com um alheio)

Adorei o texto e já passei por isso. Esperem chegar a disciplina metodologia científica – antes que qualquer aluno seja explicado o que é um artigo acadêmico.

Boa sorte.

Abraço.
Isolda.

www.isolda.blogger.com.br

Lipo de Alcantara disse...

A sintonia perfeita entre mim e você não entrou em pane. a distancia só fez ela se aperfeiçoar já que a palvra, a voz não se faz presente, nossos pensamentos se cruzam e por meio de algum tipo de telepatia nada convecial a gente se aproxima mais e mais...
Texto destinado a TODOS Calouros INTERESSADOS em DISCIPLINAS FUNDAMENTAIS...

=*

Isa disse...

Eu já te falei q vc é foda e escreve di-vi-na-men-te?

Eduardo Leite disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk a gente é foda ;)

Lívia Vasconcelos disse...

Acredite, vc vai pensar muito sobre isso durante esse ano!
dahsiduhasdiuasdas]
Mas no fim, vc vai encontrar boas coisas disso. Aproveite!

Ben-Hur Bernard, B. Bernard, Ben-Hur Bernard Pereira Costa (oficial), Biú (para as minhas crianças), Ben (para os amigos), BHB (para Aline Lemos) disse...

Antropologia ainda é a minha matéria preferida de todo o curso até hoje. Franz Boas, Malinowski e Claude Levi-strauss são Os caras...

apesar de tudo, gostei do seu texto sim. Fazer o que, né? ¬¬

kkkkkkkkkkkk
beijo

Lah. disse...

meodeos! suuper susto qnd vi o título. eu fui obrigada a ler isso ¬¬

cara, lembre-se de que você está na ufal, o paraíso dos refúgios quando da ocorrência de aulas chatas \õ/

Anairamgui disse...

engraçado, que eu estava buscando o livro "antropologia para quem não vai ser antropologo" para presentear uma amiga, afim de ajuda-la a conhecer um pouco mais dessa disciplina q eu amo e na qual devo me formar nos proximos meses, espero que ela não ache esse texto, senão vai desistir na hora... rsrsrsrsrs

parabéns pelo blog, dei uma lida em outras coisas...

vc fz q curso??