quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Turbilhão
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
A caneta, o papel e o desengano
E eis mais um tropeço da mocinha transparente. Não que eu não esteja acostumada, acreditem, esta é a minha rotina desde antes de eu perceber o poder mortífero deste músculo involuntário que pulsa, dizem, do lado esquerdo da caixa torácica. Mas não deixo de me incomodar a cada vez que preciso limpar toda a bagunça. Estar habituada a ser eu mesma não significa que eu goste disso.
Mas você também não colabora, não é? Será que você podia fazer-me o favor de virar esses olhos pr'outro lugar? Não, olhar pessoas é uma coisa normal, mas o seu olhar, em questão, é um não sei o quê de falsas promessas e blefes que não estou acostumada a desacreditar.
Você sempre parece sincero assim?
Ei, eu não estou magoada. Chateada, talvez, frustrada, sempre, vou até anotar essas rimantes e compor um poema sobre isso, depois. Magoada eu não estou. Você pode parar de se preocupar, por favor? Ser adorável, na presente situação, não ajuda muita coisa.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Battleships
Do que entendemos bem é o desperdício, meu amor... Só disso.
Por que ao invés de travarmos essa discussão, de tecermos acusações com um ímpeto assustador, tirado sabe-se lá de que recanto do corpo e, depois de tudo, chorarmos lágrimas exaustas mais por atirar (feito projéteis) nossa mágoa um no outro que por real vontade de derramá-las, você simplesmente não me leva pra casa e diz que esse é o preço que pagamos por misturar nossas vidas?
Mas não... Você proclama sua capacidade de estar sempre certo e a gente perde um tempo que não tem. Essa luta é vã e não faz sentido, meu amor. Se há uma guerra entre nós dois, não há como haver vitórias – porque a tua derrota é a minha e vice-versa, assim deveria ser. Por que ao invés de toda essa saliva gasta à toa, você simplesmente não me deita ao teu lado e me diz que não consegue entender por quê não me deixa?
Você não entende que é nas tuas mãos que está a calmaria dessa tempestade? Que nas tuas mãos está a paz, a guerra, a incansável arte de me fazer te querer? Que estou eu, nas tuas mãos? Mas você não sabe o que dizer. E nessa de procurar as palavras certas, ou as mais letais, estraga tudo. Antes que eu esteja a milhas daqui, me leva pra casa. Diz que não me suporta, mas que é assim, insuportavelmente, que você precisa de mim.
Anda, me leva pra casa. Me mostra essa tua capacidade de querer tudo ao mesmo tempo em que encontra a felicidade no nada, no fazer nada. Me olha com esses olhos de insônia e me atira na face que eu não mereço nada de bom e que, por isso, nós nos merecemos. Me tateia inteira, se quiser, e brada no escuro que não há sequer um pedaço meu que não tenha tuas digitais impressas.
Antes que, nesse rio amargo, sejamos dois navios de guerra, afundando, agora ou nunca, antes que pareçamos mais náufragos que desbravadores, mais mortos que vivos, mais ódio que amor. Antes que seja tarde demais e os navios se quedem submersos no nosso ego apaixonado. Anda, me leva pra casa, como a estrela ferida do filme... Porque eu sei viver sem você, mas não gostaria de me submeter a isso. Porque eu não te suporto e é por isso que te amo tanto.

