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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Num dia de domingo...

Bah. Era sonho. Que injusto!
Entreabri os olhos sem a certeza de que horas seriam. Uma claridade tímida, quase uma carícia, adentrava o quarto pelas frestas da cortina fechada. Ainda perdida entre sonho e realidade, aborrecida pela interrupção das imagens maravilhosas com que minha mente me brindara aquela noite, julguei ser cedo demais e afofei o travesseiro sobre minha cabeça. Mas o sono recusou-se a vir novamente. Suspirei, amaldiçoando Morfeu e, apenas por curiosidade, consultei a hora no relógio do celular.
Nove da manhã.
Nove da manhã?
Impossível. Alguém avise ao sol que ele esqueceu-se de brilhar. Levantei-me e, apesar da minha cara de travesseiro, abri as cortinas, expondo meu rosto à vizinhança. Um cinza-chuva desolado coloria o céu. O céu de Domingo.
Domingos nunca contaram com meu apreço. O Domingo nada mais é que véspera da Segunda-Feira. E a Segunda, maldita, é apenas a ratificação de que a vida é o que é. De que tudo retorna à estaca zero. De que o CD acabou e temos que apertar o repeat se quisermos continuar a ouvi-lo. Definitivamente, meus domingos são melancólicos. E a chuva daquele em especial era apenas um apêndice. Oh, vida. Longo dia.
A TV aberta do Domingo. Programação fútil. A Internet no Domingo. Nenhum amigo online. Na certa, eles estão "dispersos pelo mundo". Todos os livros da prateleira eu já li, e mais de uma vez.
— Não poderia ser pior, não é?
NUNCA, JAMAIS, enuncie essa frase. O fantasma de Murphy pode estar à espreita, esperando pobres vítimas para aplicar sua lei, sua desgraçadamente verdadeira lei. E não é que o bandido lá estava? Ele sentiu o cheiro do meu desespero. A porta rangeu, e a figura que estampava um enorme sorriso serelepe no rosto conseguiu esticar ainda mais o ricto ao ver-me no sofá, numa expressão definitiva de derrota.
— Ah, olá! — ele disse.
— Alô, tédio, alô.