quarta-feira, 23 de setembro de 2009

See ya.

Pensei em dizer milhares de coisas naquele momento, que eu sabia ser o último a poder ser chamado de nosso - em que eu era tua e você era meu. Eu procurava palavras, palavras que não soassem estúpidas, piegas ou que não te fizessem julgar-me louca. Foi inútil. Elas que sempre me foram a companhia mais insistente eram também traiçoeiras e fugiam-me quando eu as procurava ansiosamente, beirando o desespero de quem não quer ser esquecido.
Diante do peso daquele momento, o último de tão poucos, emudeci.
A vida é traçada à régua e compasso pelo milenar ritual do princípio, do meio e do fim. Nada pode fugir a essa regra. E ainda assim pareceu-me tão estranho que nosso destino fosse o 'nunca mais', simples e definitivamente. Aquele adeus era prematuro demais para ser real, meu bem... Eu queria te ver de novo. E não sei se há alguma explicação compatível com o sentimento que você me forçou a criar, de forma tão rápida, tão inesperada.
Mas você me disse, a expressão nos olhos escuros quase idêntica à minha, "não é um adeus. É um até logo. Eu volto. Tenho certeza que volto. Está bem?". Eu ri meu riso que era ao mesmo tempo descrente, triste, encantado, e aquiesci.
Talvez você volte mesmo, não tenho dúvidas. Mas talvez o 'nós' que existiu fique encerrado no nosso adeus, para sempre.
O vento marinho açoitava meus cabelos e uma chuva fina e gelada nos cobriu. Você segurou meu rosto como se segurasse algo muito delicado, contornou meus lábios com suavidade e me beijou.
"See ya", você sussurrou.
Fiquei com seu gosto na boca pelo resto da noite.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Arquivo Permanente

(Eu sei que havia dito, no post anterior, que passaria a falar sobre a realidade. Se me permitem, vou adiar um pouco a dita cuja. Por motivos de força maior, postarei um texto relativamente antigo. Aliás, em arquivologia, o termo 'arquivo permanente' é utilizado para especificar documentos que possuem valor histórico, probatório, informativo e de investigação. Pra mim, é um pouco de tudo isso...)


Eu escrevo. Um escrever assim, sem razão, vomitar o que comprime o peito e só. Um escrever que me leva de encontro à agonia em perceber

o quão supérfluas e insuficientes se tornam as palavras pra dar sentido ao que o coração teima em sentir a cada pulsar. Eu escrevo e de nada me adianta... A agonia não passa, a solidão persiste, o silêncio me amortece. Porém, algo tão etéreo quanto essas desesperadas emoções me impulsiona a escrever... já não sou dona de mim. Estou contida nas palavras e as palavras me contém.

Escrevo como que para prestar contas do tempo perdido. Escrevo na esperança de, quem sabe um dia, passar os olhos por essas linhas novamente e rir do meu antigo drama, com a nostalgia de quem já convalesceu estampada nos olhos.

Eu escrevo... Como se devesse a mim mesma essa empreitada. Como se tudo fosse mudar ao longo destas linhas... Mas nada muda. Ainda estou viva. E você, alvo das palavras, alvo do coração, desfila no mundo, tão perto de mim e ao mesmo tempo tão longe...

Eu escrevo como se essas linhas fossem te conjurar para perto de mim... para perto do meu coração.


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Ventos da Mudança




Não é apenas por estar escutando Winds of Change agora. É que, dia desses, enfurnada diante desse cubo luminoso chamado monitor, lendo e relendo blogs dos amigos, pensei. Repensei. Acho que talvez esteja na hora de despir-me um pouco do eu-lírico, ainda que ele carregue um tantinho, ou um bocado, de mim. Talvez seja a hora de vestir a camisa da profissão que escolhi e exercitar meu poder de síntese e crítica - isso se o tal poder realmente reside em mim. Não faço ideia. Quero experimentar. Talvez seja a hora de deixar este sedutor (porém volúvel) mundo da ficção e dedicar meu tempo à realidade dos fatos, não?
Escrevo agora como Ludmila, futura jornalista (não que isso seja grande coisa, levando em conta as atuais circunstâncias...).

Até mais. :)

(ah, preciso ser completamente sincera com vocês. Também ando sem inspiração pra ficção. Vergonhoso, não?)